Flávio Bolsonaro, candidato à presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, está sob pressão devido à falta de clareza sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’, que narra a história de seu pai. Três meses após a revelação de que o projeto foi financiado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, não foram apresentados nem a prestação de contas do longa nem o contrato com o banqueiro.
Responsabilidade pela prestação de contas
Após inicialmente negar o recebimento de recursos de Vorcaro, Flávio confirmou a informação, mas não apresentou os dados financeiros. Sua assessoria afirmou que a responsabilidade pela prestação de contas cabe à produtora do filme, a Go Up Entertainment.
Contradições nas declarações
Em entrevista à Globo, Flávio oscilou entre afirmar que a relação com Vorcaro está “mais que esclarecida” e que o assunto é um “livro que está fechado”, enquanto também sugeriu que “nunca é demais” explicar a situação. Ele mencionou um laudo pericial que, segundo ele, já teria apresentado, mas que não detalha informações cruciais sobre o fluxo de dinheiro.
Laudo pericial e custos de produção
O laudo, solicitado pela produtora, indicou que os gastos com a produção do filme entre 1º de junho de 2025 e 4 de junho de 2026 totalizaram US$ 13.393.081,29, o que equivale a aproximadamente R$ 75.182.282,80. A maior parte dos custos foi coberta por repasses da Go Up Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos, e uma parte foi paga diretamente pela empresa.
Embora o laudo tenha confirmado a ausência de recursos públicos, não esclareceu quais fornecedores receberam pagamentos da Go Up, nem apresentou documentação fiscal que comprove o destino dos valores. As categorias de despesas apresentadas foram gerais, como “elenco, atores e figurantes” e “equipe técnica e produção executiva”, sem detalhar se os valores estão de acordo com o mercado cinematográfico.
Promessas não cumpridas
A produtora havia prometido consultar uma “firma de auditoria internacional independente” para auditar a movimentação financeira, mas isso não ocorreu. O perito responsável pelo laudo, Anísio Costa Castelo Branco, reconheceu em entrevistas que o material apresenta lacunas significativas, como a compatibilidade dos preços com o mercado e a origem dos recursos do fundo Havengate, que supostamente financiou a produção.
Investidores e falta de transparência
Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up, afirmou anteriormente que a produção contava com mais de dez investidores internacionais, incluindo uma “empresa de mídia americana”, mas os nomes nunca foram revelados devido a um acordo de confidencialidade. Quando questionada sobre o destino do dinheiro de outros investidores, Karina não respondeu.
Contexto e cronologia
A situação em torno de ‘Dark Horse’ se tornou mais complexa após a divulgação de um áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro. Desde então, uma série de eventos se desenrolou, incluindo investigações sobre emendas ligadas a empresas de Karina e operações da Polícia Civil de São Paulo relacionadas ao contrato de uma das empresas dela com a prefeitura.
O caso continua a gerar controvérsias e questionamentos sobre a transparência e a ética no financiamento de projetos culturais, especialmente em um período eleitoral.


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