Um ataque aéreo realizado pelas forças russas em Kiev nesta quinta-feira (20) resultou na morte de ao menos 16 pessoas e deixou mais de 40 feridos. A ofensiva, que utilizou mísseis balísticos, expôs novamente as falhas das defesas aéreas ucranianas, que não conseguiram interceptar os projéteis.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, expressou sua frustração através de uma mensagem no Telegram, afirmando que a falta de interceptadores para os sistemas antiaéreos americanos Patriot está custando vidas. “Infelizmente, a resposta do mundo a tais ataques não é sempre adequada”, lamentou.
Demandas por apoio militar
Zelenski tem solicitado repetidamente mais assistência militar internacional, especialmente após não conseguir convencer o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a fornecer mais mísseis para conter as ameaças balísticas. A escassez de interceptadores é uma preocupação crescente, exacerbada pela guerra no Irã, que também afeta os estoques disponíveis.
O presidente destacou que cada dia sem os mísseis Patriot “custa vidas”, enfatizando a urgência da situação. A Força Aérea da Ucrânia não divulgou o número exato de mísseis utilizados no ataque, mas confirmou que dezenas deles não foram interceptados. Em contraste, a defesa contra armas menos velozes foi mais eficaz, com a derrubada de 145 drones e 39 mísseis de cruzeiro.
Impacto na população civil
As imagens de civis buscando abrigo no metrô de Kiev se tornaram comuns, refletindo o clima de medo e insegurança na capital. Incêndios significativos foram registrados em centros logísticos, em um cenário que remete à campanha de Kiev contra a gigante russa de varejo online, Wildberries.
Além dos ataques em Kiev, a região de Odessa, um dos principais portos da Ucrânia, também foi alvo de bombardeios. A defesa aérea na região é considerada menos sofisticada em comparação à da capital. Durante os ataques, pelo menos dois drones se desviaram e caíram em países vizinhos, como Romênia e Moldávia, sem causar danos significativos.
Crise política e escândalos de corrupção
A situação militar se agrava em meio a uma crise política interna. Recentemente, houve protestos em Kiev contra a demissão de Mikhailo Fedorov do Ministério da Defesa, e o Parlamento confirmou o novo ministro, Iehvenni Khmara. Fedorov, após sua demissão, criticou o governo de Zelenski e pediu a realização de eleições presidenciais, mesmo sob a lei marcial.
O mandato de Zelenski termina em maio de 2024, e ele tem sido implacável em lidar com dissensos internos. Além disso, o presidente enfrentou escândalos de corrupção, levando à exoneração de sua vice-chefe de gabinete, acusada de envolvimento em lavagem de dinheiro.
Resposta internacional e futuro das negociações
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu ao apelo de Zelenski, afirmando que os membros da União Europeia estão trabalhando para fornecer ajuda de defesa antiaérea como prioridade. No entanto, os estoques de interceptadores na Europa também estão críticos, e as baterias disponíveis não são tão eficazes contra mísseis balísticos.
Enquanto isso, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que não recebeu a proposta de Zelenski para reabrir negociações, embora tenha sugerido que a Rússia está disposta a receber enviados de Trump para discutir o conflito.


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